domingo, 28 de novembro de 2010

Paul McCartney no Brasil (III)

Em 1974 eu tinha 13 anos. Também tinha um vizinho que gostava de escutar música bem alto. Mas bem alto mesmo. Às vezes, ele chegava a colocar as caixas acústicas em cima do muro da frente da sua casa (naquele tempo os muros eram mais baixinhos rsrsrs) e mandava ver no volume!

Por sorte, seu gosto musical era até bem legal (de qualquer forma, mesmo que esse tal vizinho tivesse um gosto diverso do meu, naquela época não havia axé, nem sertanejo, nem pagode, nem forró enlatado, nem sertanejo universitário, portanto, disso aí eu estava livre rsrsrsrs).

Ele tocava mesmo uns LP's bem legais: Barrabas, Santana, Terry Winter, Pholhas e vários outros discos. Havia um disco em particular que eu gostava bastante, sempre que ele colocava pra tocar. Um dia, conversando com ele, descobri que disco era aquele que eu tanto gostava. Era o Band On The Run, disco então mais recente de Paul McCartney. Pronto! Nesse dia, minha vida mudou. Um ano depois eu já estava colecionando os discos de Paul e dos Beatles feito um louco. E não só os discos, mas tudo o que saía deles nas revistas, livros, etc.

Quando pequeno, eu escutava os Beatles pela rádio, conhecia as músicas mais populares, mas até então era uma coisa mais, digamos, normal. Minha mãe tinha os discos Help e o Álbum Branco (que eu nem gostava muito!!!).

Quando soube que o Band On The Run era um disco do ex-beatle canhoto, foi como se tudo fizesse sentido. Fiquei louco! Pedi o disco emprestado. Gravei pra mim. Começou a minha mccartneymania particular. E a beatlemania veio a reboque. De lá pra cá, muita coisa aconteceu. Paul e os Beatles só ficaram cada vez mais importantes na minha vida. Os Beatles eu não tinha mais como ver ao vivo. Mas Paul eu consegui. Estive bem no meio da fantástica plateia de 183 mil pessoas que o viram tocar em abril de 1990, no Maracanã. Eu e meus 182.999 amiguinhos de noitada entramos até para o Livro Guinness de Recordes.

Na noite de domingo 21 de novembro de 2010, quando Paul martelou ao piano os primeiros acordes de "1985", uma das músicas que mais gosto do Band On The Run, em pleno estádio do Morumbi, eu não me contive. A emoção tomou conta de mim. Peguei o celular e, dali mesmo, com o Paul McCartney na minha cara, liguei para minha irmã, em João Pessoa. Ela, assim como eu, adora essa música. De que adiantam as coisas boas da vida se a gente não puder compartilhar? Claro que a emoção tomou conta da gente. Era o Paul, caraca, cantando "1985"!!!! Pensei no começo de tudo, lá em 1974...

Durante o show inteiro, eu gritava feito um menino. E feito um menino em transe, completamente maravilhado, curti cada minuto das quase três horas dos dois shows que Paul McCartney (o homem é definitivamente uma lenda viva) deu de presente aos mais de 65 mil fãs que estiveram no Morumbi em cada noite (dias 21 e 22).

Até hoje Band On The Run continua sendo meu disco preferido do Paul. E ele tocou um monte de músicas desse disco (Band on the run, Jet, Mrs. Vandebilt, Let me roll it, 1985). Foi tudo de bom.

E haja momentos inesquecíveis: Live and Let Die dispensa comentários (pra mim, o ponto alto de todos os shows de Paul), a abertura com Venus and Mars/Rock Show/Jet (a mesma abertura do álbum triplo Wings Over America, de 1976), as várias músicas da época dos Beatles e, claro, o próprio Paul, que é uma figuraça no palco. Suas caras e bocas, seu "Tudo bem in the rain?" ou o "Chove, Chuva" que ele mandou, ou ainda o "Oh São Paulo", encantaram e cativaram a plateia.

Valeu demais ver os balões brancos em Give Peace A Chance, a homenagem aos dois amigos, Lennon e Harrison, o estádio cantando todas as músicas junto com ele... Ah, a dancinha do baterista Abe Laboriel em Dance Tonight. O refrão poderoso e fantástico de Hey Jude. Canções como Day Tripper, Obladi Oblada, Helter Skelter, Let it Be, e muitas outras, foram destaque em um show onde o cara - sim, Paul é "o" cara" -, que já passou dos 68 anos, mostrou que, de alguma forma, descobriu a fonte da juventude. Ele é só energia, alegria juvenil e dedicação completa à sua plateia - por duas noites seguidas e por três horas de show em cada noite...

Ao final do primeiro show, McCartney levou um tombo feio, mostrado nos enormes telões. Mas ele se levantou rápido e continuou saindo, rindo e correndo! Efeito da fonte da juventude. Nos anos 60, quando os Beatles explodiram, ninguém poderia imaginar um artista de quase 70 anos fazendo o que McCartney fez em São Paulo. Ele mostrou que, ao fazer aquilo de que gostamos, com entrega, alegria e prazer, podemos nos manter jovens e cheios de vida. O físico pode não aparentar. O físico pode até reclamar. Mas é o espírito quem tem que permanecer jovem. Sempre. Lições de McCartney.

Enfim, dois shows pra não esquecer nunca mais. Obrigado, Macca!

As fotos abaixo foram tiradas por mim no dia do primeiro show de McCartney (21 de novembro). Sua utilização é permitida desde que citada a autoria. Detalhe importante: eu e meu amigo Renato (daqui de Recife) assistimos ao show juntamente com o guitarrista Marcelo Gross, do Cachorro Grande, gente finíssima!

As fotos em que eu apareço, devidamente paramentado com a minha "Rubber Soul" T-Shirt (que fez um sucesso e tanto no Morumbi rsrsrsr) foram tiradas por meu amigo Renato e por um recém-conhecido da plateia.










































3 comentários:

Sidclay disse...

Parabéns Dinoá! Paul McCartney ao vivo é um evento pra vida toda...

Celeste disse...

Cara! Demais o teu relato do show!!!! perfeito!!! eu nunca diria melhor! e tua historia com o band on the run mais ainda! isso q dia 22 o macca ainda nos presenteou com bluebird (quase morri chorando)... legal q conheceste o Gross! q além de um grande (cachorro grande e) guitarrista, é sim gente finissima! adorei tuas fotos e citarei qdo colocar alguma no orkut, facebook enfim! grande abraço maccamaníaco!

ED CAVALCANTE disse...

Primeiro, que camisa lindaaaaaaaa! Ruber Soul. Rapaz, tenho uma historinha parecida com essa sua de um vizinho que detonava músicas legais (mesmo nas horas impróprias). Quanto ao show de Paul, saiu a boa notícia de que ele voltará ao Brasil, dessa vez eu vou.

Abraço!

PS: Te vi, acho, no show do All You Need Is Love