quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Rush no Rio de Janeiro - o sonho foi de novo realidade!

Tive a imensa alegria de curtir o show do Rush no último dia 10 de outubro na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro. Gosto de escrever minhas próprias resenhas sobre os shows e eventos aos quais assisto. Mas, desta vez, vou fazer diferente. É que eu li um texto tão legal do jornalista Jamari França, em seu blog Jam Sessions, que resolvi reproduzi-lo aqui, com a devida licença. Meu caro Jamari, permita-me discordar só um pouquinho de você quanto ao Bon Jovi, banda que tem umas canções até bem legais rsrsrsrs No mais, valeu, cara! Excelente resumo do que rolou no showzaço desse incrível trio canadense e que eu tomo a liberdade aqui de dividir com minha galera amiga!


Rush serve do bom e do melhor na Apoteose

Geddy Lee - Fotos de Licias Santos

Com apenas 48 horas de intervalo entre um e outro, os cariocas assistiram a irrelevância e a relevância da história do rock na Praça da Apoteose. De Bon Jovi a Rush existe uma diferença de anos luz, o trio canadense mostrou o rock em sua plenitude, maduro, seguro, de qualidade, trilha sonora da vida de quatro gerações, porque havia quarentões, cinquentões, trintões e daí para baixo até adolescentes extravasando com gritos, pulos e palavrões a alegria de estar vendo músicas importantes em suas vidas por três excelentes músicos que, ainda bem jovens, decidiram dedicar a vida ao rock'n'roll.

Alex Lifeson

Em três horas de show - das 20h às 23h - com um intervalo de 20 minutos "porque somos velhos," como disse Geddy Lee, ou para "tirar água do joelho," como anunciou um locutor, eles foram de uma ponta a outra de sua carreira fonográfica, de Snakes & Arrows, de 2007, a Rush, o primeiro, de 1974. Apontaram até para o futuro próximo, com Caravan e Brought Up To Believe, canções do álbum Clockwork Angels, com lançamento marcado para abril de 2011. Na saida vi muita gente elogiando a vitalidade dos velhinhos. Geddy e Alex emplacaram 57 anos e Neil Peart 58, no total 172 anos de rock`n`roll!!

Neil Peart

Daí a turnê se chamar Time Machine, uma máquina no tempo simbolizada no palco por relógios de todos os tipos, até mesmo desenhados na bateria de Neal Peart. A turnê também celebra o LP Moving Pictures, de 1981, tocado na íntegra na segunda parte. Vale destacar de saída, a luz do concerto, sem dúvida a melhor mostrada este ano num palco brasileiro. Uma espécie de polvo suspenso com seis tentáculos articulados, secundado por dezenas de moving lights e spots que davam efeito espacial às vezes, psicodélico em outros momentos, secundado por recursos seculares do music business como labaredas, explosoes e fumaça, além dos obrigatórios telões de leds de altississima definição.

O polvo da luz

No começo, meio e fim, filmes cômicos com a banda disfarçada de dono de bar, cinegrafista, diretor de clipe e como eles mesmos, tietados no final por dois atores de comédia de Hollywood, Jason Segel e Paul Rudd, bancando os bicões, que invadem o camarim e um deles abocanha um sanduíche que tem um aviso escrito que é de Peart. No começo e no meio, os filmes incluem a música que a banda vai atacar em seguida, no inicio Spirit Of The Radio e, no meio, Tom Sawyer.

Geddy Lee como diretor de clipe num dos filmes


No intervalo, quando estava na sala de imprensa tomando uma água e descansando os pés, um leitor gritou lá de fora pela janela, "Jamari, não vai meter o pau!". Não há como, amigo, só alguém de ovo muito virado para falar mal do Rush. Não há novidades na música, sequer na execução e nem no direcionamento musical - as novas do próximo disco seguem o padrão guitarreiro retomado nos anos 90  - mas a consistência do repertório torna irrelevante tais cobranças. Geddy Lee, com oclinhos escuros o tempo todo, pilota teclados - Roland X7 e OBX ou Moog, alem de baixo de pedal e efeitos ligados com os pes  -  seus baixos Fender Jazz Bass e canta com aquele timbre agudo personalisismo, faz muitos solos frenéticos de baixo com os dedos, não usa palhetas (imagina o tamanho dos calos).


O  marcador da Time Machine

Alex Lifeson faz suas guitarras - Gibson Les Paul, Gibson 355, Telecaster e uma outra - se multiplicarem nas bases com distorções trovejantes e efeitos midiados e nos solos, nem curtos nem longos, na medida certa, executados com maestria. Neil Peart, com fones o tempo inteiro, pilota seu kit de bateria com extrema competência, é um dos maiores de todos os tempos, sem olhar para o público, muito concentrado no que está fazendo. No seu solo, de uns bons 10 minutos, a bateria gira, mas ele fica parado, e tem todo tipo de tambor e prato, além de um grande pad eletrônico para efeitos. Na parte final, parece ter um sample de metais de big band num dos pads, porque um splash de sopros coincide com suas porradas, mas no telão aparece uma animação de robô tocando batera num big band de jazz. Sensacional.


O repertório é o mesmo da turnê inteira. Se tivesse que criticar alguma coisa seria esse aspecto. Muitos músicos sempre dizem que repetir as mesmas músicas noite após noite acaba fazendo com que aquilo fique mecânico. Não senti isso no concerto, muito menos a platéia, que juntou sua voz à de Geddy em grande parte do setlist. Até mesmo nas instrumentais, YYZ, de Moving Pictures, e La Villa Strangiato, de meu disco favorito deles, Hemispheres (1978).

Alex faz a intro de Closer To The Heart

Quando esteve por aqui pela primeira vez, em 2002, a banda lamentou ter demorado tanto a vir ao Brasil, mas foi muito bem recebida e gravou o DVD Rush In Rio. Desta vez foram apenas oito anos e esperamos estar incluidos na turne do novo disco que se inicia em meados de 2011. Time Machine começou em 29 de julho nos EUA com 44 apresentações previstas. Daqui o Rush segue para Buenos Aires (dia 15) e para o encerramento em Santiago (dia 17).  Depois terminar o novo CD e receber duas homenagens pela sua importancia na historia do rock nas festas das revistas Classic Rock e Billboard em novembro.


SETLIST - Com os discos de cada musica
SET 1
Opening Film - Act 1
The Spirit of Radio - Permanent Waves - 1980
Time Stand Still - Hold Your Fire - 1987
Presto - Idem 1989
Stick It Out - Counterparts 1993
Working Them Angels - Snakes & Arrows 2008
Leave That Thing Alone - Counterparts
Faithless - Snakes...
BU2B - Brough Up To Believe - Clockwork Angels 2011
Freewill - Permanent...
 Marathon - Power Windows 1985
Subdivisions - Signals 1982
SET 2
Intermission Film
Integra de Moving Pictures 1981
Tom Sawyer
Red Barchetta
YYZ
Limelight
The Camera Eye
Witch Hunt
Vital Signs - Fim Moving Pictures
Caravan - Clockwork Angels 2011
MalNar/Drum solo
Closer To The Heart  - A Farewell To Kings 1977
2112 Overture  - Idem 1976
Far Cry - Snakes...
Encore
La Villa Strangiato - Hemispheres 1978
Working Man - Rush 1974


 

Editado num teclado nao formatado para o portugues. Desculpem eventuais falhas.

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