segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Banda Abbey Road em João Pessoa - 31 de julho

Quem me conhece sabe que costumo ir com frequência a João Pessoa, para descansar e rever a família e os amigos. Mas neste fim de semana houve uma motivação a mais: o show dos paulistas da The Beatles – Abbey Road no palco principal da Festa das Neves, a celebração popular em homenagem à padroeira da cidade.

Esta é a segunda vez que a banda toca em João Pessoa, e no mesmo evento. Na primeira oportunidade, no ano passado, eu não pude ver, já que estava tocando com a minha banda aqui em Recife. Mas, desta vez, pude checar de perto como é o show dos rapazes.

A primeira vez que eu vi um cover dos Beatles, desses que procuram utilizar os mesmos instrumentos, as mesmas roupas e os mesmos cabelos e trejeitos dos quatro músicos de Liverpool, foi há quase dez anos, quando eu ainda morava na Argentina. Lá pude acompanhar de perto a impressionante performance do The Beats, uma banda pra lá de espetacular e que é considerada por muitos o melhor cover dos Beatles no mundo. Eu sempre toquei em bandas cover dos Beatles, seja aqui no Brasil ou lá na Argentina. Mas nunca tive o prazer nem a oportunidade de experimentar e participar de algo como aquilo. Ver os Beats era como entrar numa máquina do tempo e cair direto no meio de uma apresentação dos Beatles em Liverpool. Simplesmente fantástico. Fiquei sonhando e imaginando como seria interessante que o pessoal da minha região visse aquela banda.

Atualmente, vários grupos no Brasil trilham esse caminho. O de tentar passar para o público a sensação de estar vendo um show de verdade dos Beatles. Uma dessas bandas é a Abbey Road.

A proposta cai em cheio na graça do público, já que o efeito visual é sempre impressionante. E com o recheio da música incomparável criada pelos Beatles, é covardia. Muitos músicos que eu conheço torcem o nariz para este tipo de espetáculo. Não importa, o público adora. Várias vezes, por onde eu toquei, recebi questionamentos de fãs que adoraram a nossa banda mas deixaram registrado que nos faltava a caracterização pro show ficar ainda melhor. Portanto, para quem tem as condições de fazê-lo, a proposta é válida, sim.

E o Abbey Road mandou muito bem na capital paraibana. O público pôde conferir, mais uma vez, um desfile de instrumentos idênticos aos utilizados pelo quarteto de Liverpool (entre guitarras elétricas, violões e baixos eu contei uns quinze!), bem como uma ótima performance de Sandro Peretto (John Lennon), Maury D’Ambrosio (George Harrison), Thiago Artuzo (Ringo Starr) e Chris Salvatori (Paul McCartney).

O show do Abbey Road durou pouco mais de duas horas e foi dividido em três partes. Cada uma mostrou uma fase da carreira dos Beatles. A primeira, a da beatlemania, apresentou os rapazes da banda vestidos em terninhos escuros impecáveis cantando e tocando os grandes sucessos da época inicial da banda de Liverpool. Pausa para uma troca de roupas e logo começa a segunda parte do show. Aqui os músicos surgem vestidos com os famosos uniformes do Sgt. Pepper’s e sua banda. É a fase psicodélica dos Beatles. No encerramento, nova troca de roupas e o grupo surge no palco para encenar a derradeira fase dos Beatles, tão bem representada pela música mais complexa e madura do disco Abbey Road, que deu nome à banda cover que estamos comentando. As roupas que os Beatles usaram na capa desse disco são também a inspiração para a indumentária utilizada pelos rapazes no palco da Festa das Neves. Terno branco impecável para Sandro Lennon, colete escuro para Chris McCartney, roupa jeans para Maury Harrison e casaco azul e camisa amarela de babados para Thiago (Starr). Muito bom.

Entremeando as mudanças de roupas, vídeos distraíam a plateia. Um recurso habilmente utilizado pelo The Beats, que eu vi lá na Argentina (e que costumava trocar de figurinos por treze vezes em um show normal!).

Musicalmente, são quatro ótimos músicos, particularmente o baixista da banda, Chris Salvatori, cuja personificação de Paul McCartney transmite muito do carisma e dos trejeitos daquele que é o meu beatle favorito. Além deles, um tecladista dá apoio e é figura fundamental na criação da massa sonora que caracterizou a música dos Beatles pós-beatlemania: Andrea Di Maio, considerado pela própria banda como o George Martin deles, o “quinto Abbey”.

Todos cantam e tocam seus instrumentos bem ao estilo do fab four. É só se ligar no som que tiram dos instrumentos, nas harmonias vocais que eles fazem e no jeito de Ringo bater na sua Ludwig, nos passinhos meio desajeitados de George, nas pernas afastadas de Lennon e no balançar de cabeça de Paul. Ta tudo lá. Houve pequenos erros de execução, é certo. Mas só menciono isso aqui por pura honestidade (comigo e com a própria banda) e porque sou mesmo um beatlemaníaco chato. Nada, no entanto que a grande maioria do público presente tenha percebido ou que possa mudar meu conceito diante do que presenciei no início da madrugada de 1º de agosto, bem ali no centro de João Pessoa.

Showzaço, empolgado, rico em detalhes. A banda usou e abusou de repetir brincadeirinhas e frases famosas ditas pelos Beatles em suas apresentações, não se permitindo uma única palavra em português! As roupas do Sgt. Pepper’s apresentaram corte muito bem feito e parecido com as originais (nada a ver com algumas bandas que usam essa indumentária e os músicos acabam se parecendo mais com palhaços de circo...). Tava tudo lá: os terninhos, os amplificadores Vox, o baixo Hofner, a Rickenbacker de 12 cordas, o piano psicodélico da carreira solo de Paul (eu tô ligado no Chris – o cara é evidentemente um fã de Paul, mesmo na carreira solo).

Gostei muito. Que voltem sempre ao Nordeste!

E, atenção: esta semana tem mais Beatles chegando na área: trata-se da banda All You Need Is Love, que chega com promessas de uma grande produção no Teatro Guararapes, aqui em Recife. É outra banda na linha da personificação (perucas, instrumentos originais, figurinos...) pronta para provar a velha máxima de que os Beatles são pra sempre! Estaremos lá!

P.S. As fotos acima são reproduzidas do site da banda (http://www.beatlesabbeyroad.com.br/)

ABBEY ROAD - FESTA DAS NEVES - JOÃO PESSOA - 31 DE JULHO DE 2010
MÚSICAS EXECUTADAS:


  1. I saw her standing there
  2. Please please me
  3. Twist and shout
  4. From me to you
  5. She loves you
  6. All my loving
  7. I wanna be your man
  8. I wanna hold your hand
  9. Long tall Sally
  10. A hard day’s night
  11. I should have known better
  12. Can’t buy me love
  13. Eight days a week
  14. Everybody’s trying to be my baby
  15. Help!
  16. Yesterday
  17. Yellow submarine
  18. Sgt. Peppers lonely hearts club band
  19. With a little help from my friends
  20. Lucy in the sky with diamonds
  21. Hello goodbye
  22. All you need is love
  23. Hey jude
  24. Revolution
  25. Back in the USSR
  26. Obladi Oblada
  27. Don’t let me down
  28. Here comes the sun
  29. Medley: Sgt. Peppers (reprise)/The end
  30. Let it be

2 comentários:

MAURICIO CRUZ disse...

Apenas uma observação: Está totalmente incorreta a afirmação de que é Sandro Peretto quem personificou John Lennon nesse show do Abbey Road.
Sandro Peretto desligou-se dessa banda há bem mais de um ano e daí passou a integrar exclusivamente o elenco do espetáculo de All You Need Is Love, que também retrata a trajetória dos Beatles e que também foi objeto de uma matéria mais recente neste mesmo blog.
Saudações.

Dinoá disse...

Feito o registro, Maurício. Márcio Mello é quem personifica o John Lennon na Abbey Road, de acordo com o site da banda!